O QUE É uma Taxonomia Sustentável?
Uma Taxonomia Sustentável é um sistema de classificação que define atividades, ativos e/ou categorias de projetos que contribuem para objetivos climáticos, ambientais e/ou sociais. Uma taxonomia das finanças sustentáveis pode servir como um instrumento central para mobilizar e direcionar os fluxos de capitais para os investimentos necessários para o enfrentamento à crise climática.
Na prática, as taxonomias ajudam a prevenir o greenwashing, ou seja, quando uma organização implementa estratégias e propagandas enganosas sobre suas práticas ambientais. Ao estabelecer critérios e indicadores que permitem avaliar se uma atividade contribui para a sustentabilidade e/ou para a transição para uma economia sustentável, as taxonomias apontam claramente o que pode ou não ser uma ação apropriada para o investimento climático.
Os esforços de implementação de taxonomia sustentável estão ocorrendo em âmbito global e mais de 50 países já aprovaram ou estão em estágio de desenvolvimento da sua Taxonomia Sustentável. A principal delas, a taxonomia da União Europeia, se tornou lei em junho de 2020. Grandes economias, como China, Coreia do Sul, Rússia, África do Sul, também já possuem suas taxonomias em voga, enquanto Reino Unido, Austrália, Índia, Canadá e Chile estão construindo seus documentos. Em âmbito latino-americano, México, Colômbia, República Dominicana, Panamá e Costa Rica já publicaram suas taxonomias.
Por que importa para sua empresa?
A Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB) é um instrumento estratégico do Plano de Transformação Ecológica, coordenado pelo Ministério da Fazenda, que classifica as atividades econômicas desenvolvidas no Brasil conforme seus impactos climáticos, ambientais e sociais.
Embora sua adoção inicial seja voluntária, a TSB servirá como referência para políticas públicas, concessões de crédito, emissão de títulos sustentáveis e decisões de investimento no país.
Os três objetivos estratégicos da TSB são:
- Mobilizar e reorientar o financiamento e os investimentos públicos e privados para atividades econômicas com impactos climáticos, ambientais e sociais positivos.
- Promover o adensamento e a concentração tecnológica voltados à sustentabilidade ambiental, climática, social e econômica.
- Criar as bases para a produção de informações confiáveis sobre os fluxos de finanças sustentáveis, estimulando transparência, integridade e visão de longo prazo
A TSB avalia atividades econômicas específicas, e não empresas como um todo. O Ministério da Fazenda estruturou a taxonomia em oito cadernos setoriais, abrangendo desde Agricultura e Indústria até Energia, Construção, Transporte e Serviços Sociais.
As atividades podem ser classificadas em dois grupos principais:
Atividades Sustentáveis, de baixo ou zero carbono, que contribuem diretamente para os objetivos climáticos e ambientais, como geração de energia eólica ou regeneração de florestas nativas
Atividades de Transição, que ainda não possuem alternativas de baixo carbono plenamente viáveis, mas podem ser incluídas desde que cumpram critérios técnicos rigorosos, como limites de emissões e o princípio de não prejudicar significativamente outros objetivos da TSB
Atividades que não aderirem à TSB continuarão a existir, mas não terão acesso aos benefícios diretos da classificação sustentável, como facilidade de acesso a financiamentos verdes, maior atratividade para investidores e fundos ESG, aumento da transparência e credibilidade, melhor posicionamento competitivo em mercados internacionais e segurança regulatória.
Empresas alinhadas à TSB também estarão mais bem posicionadas para captar recursos que fomentem inovação e competitividade, especialmente em setores como energia renovável, infraestrutura verde e economia circular.
O que CEBDS diz a respeito?
A Taxonomia Sustentável Brasileira integra o eixo de Finanças Sustentáveis do Plano de Transformação Ecológica, lançado pelo Ministério da Fazenda, e tem o objetivo de orientar investimentos e políticas rumo a uma economia de baixo carbono, justa e regenerativa.
Desde 2024, o CEBDS integra o Comitê Consultivo da Taxonomia Sustentável Brasileira (CITSB) e atua de forma ativa em seu desenvolvimento. Durante as fases de consulta pública, o CEBDS mobilizou suas empresas associadas, resultando em 179 contribuições, das quais 101 foram total ou parcialmente incorporadas, com o engajamento direto de 14 empresas associadas.
Essa atuação dá continuidade à trajetória do CEBDS em finanças sustentáveis, que começou em 2016 com o lançamento do Guia de Títulos Verdes, posicionando o Conselho como referência nacional no tema.
Segundo a presidente do CEBDS, Marina Grossi, a participação no Comitê Consultivo reforça o compromisso do Conselho em contribuir para um sistema de classificação robusto e transparente, capaz de atrair investimentos verdes, acelerar a descarbonização do país e promover justiça social.
A TSB será implementada em duas ondas graduais e acompanhada por um Sistema de Monitoramento, Relato e Verificação (MRV), cujo portal será lançado até dois anos após sua publicação. O CEBDS continuará colaborando para garantir que a TSB se mantenha como um instrumento vivo, em constante aprimoramento, apoiando empresas, investidores e governos na transição para uma economia sustentável.